Confissões femininas

Um espaço criado prá exorcisar meus demônios...e quem sabe compartilhar meus sentimentos com outras...ou outros...

18.7.06

O QUE O AMOR PODE FAZER COM VOCÊ

Eu leio toneladas de textos sobre o poder de transformação que o amor tem na vida de uma pessoa.
Dizem por ai que quando se ama a pele muda, o humor muda, o brilho nos olhos muda...talvez seja verdade e eu fico doida para ver os efeitos desse sentimento-cosmético atuarem sobre mim (e tem horas que eu acho que já está atuando).
Sentir-se amada, querida, importante para alguém é realmente algo muito bom. E faz um bem danado para a pessoa.
A gente passa a ver o mundo com um olhar mais cor de rosa...e anda mais leve...quase flutuando...
Outro dia, porém, vi o outro lado da moeda...sim, pois como todas as outras coisas no mundo, o amor também tem seus dois lados... Vi como um amor não-correspondido, um sentimento mal direcionado pode também mudar tudo em uma pessoa. E, com dor no coração eu vi aquela pessoa na minha frente – o olhar sem viço, a voz sem música, um perfume de falta de esperança que exalava dele. E eu tive vontade de abraçá-lo, não mais com o desejo do passado, mas com um sentimento que beirava a pena...ou aquele sentimento de “eu sei o que você está sentindo porque você me fez sentir o mesmo”?
E eu não senti revanchismo...só uma sensação estranha de que aquele não era o mesmo cara por quem um dia eu fui apaixonada, não mesmo...Eu olhava, olhava e mal o reconhecia...
O reencontro, que eu tanto evitava, serviu para eu ver o quanto estou melhor assim, do jeito que estou, com quem estou...
E no fundo, espero que ele encontre alguém que o faça bem...que o tire dessa...mesmo que não seja eu...

3.7.06

“MEET ME IN MONTAUK”


Outro dia assisti “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (Eternal Sunshine of the Spotless Mind).
Para alguns uma obra de arte de Kaufman, para alguns um filme confusamente não-linear, para mim a prova de que nem sempre é possível apagar lembranças, tampouco sentimentos...
Devo confessar que já tive vontade de passar por qualquer processo que permitisse que eu acordasse no dia seguinte sem algumas lembranças...que eu ficasse indiferente ao reencontrá-lo pelas ruas da cidade.
Lembrar é um dos verbos que eu queria guardar numa caixinha, junto com outros como ouvir Ozzy, fazer planos de passeios gastronômicos, esperar por um telefonema após as 10 e pouco da noite, tocar suas mãos em silêncio, no carro enquanto o restante do pessoal é vencido pela bebida, pelo cansaço ou pela euforia...
Mas percebi que é impossível, o máximo que consegui fazer até o momento é tentar conviver com as lembranças dele.
Outro dia, tive um encontro fatídico com as lembranças. E foi pior do que eu imaginava. Eu não gaguejei, nem amarelei o sorriso...mas eu simplesmente fui tomada por uma saudade enorme...e tudo que eu queria era acabar com ela...Tudo que eu queria era sair de lá com a certeza que eu estou muito mais feliz agora, mas não foi isso que aconteceu...tudo que eu queria era não sentir, era não lembrar, era não desejar, era não me incomodar...tudo que eu queria era não ter desejado sentar ao seu lado de novo...estar com ele de novo...rir com ele de novo...tudo que eu queria era não ter sentido nada, principalmente a esperança de que reencontrarei a felicidade, em Montauk, como no filme.

E desde então tenho feito incontáveis esforços para me provar que reencontrarei sim a felicidade e paz que meu coração precisa tanto, mas que ela tem outro nome e sobrenome...
 
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