“MEET ME IN MONTAUK”

Outro dia assisti “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (Eternal Sunshine of the Spotless Mind).
Para alguns uma obra de arte de Kaufman, para alguns um filme confusamente não-linear, para mim a prova de que nem sempre é possível apagar lembranças, tampouco sentimentos...
Devo confessar que já tive vontade de passar por qualquer processo que permitisse que eu acordasse no dia seguinte sem algumas lembranças...que eu ficasse indiferente ao reencontrá-lo pelas ruas da cidade.
Lembrar é um dos verbos que eu queria guardar numa caixinha, junto com outros como ouvir Ozzy, fazer planos de passeios gastronômicos, esperar por um telefonema após as 10 e pouco da noite, tocar suas mãos em silêncio, no carro enquanto o restante do pessoal é vencido pela bebida, pelo cansaço ou pela euforia...
Mas percebi que é impossível, o máximo que consegui fazer até o momento é tentar conviver com as lembranças dele.
Outro dia, tive um encontro fatídico com as lembranças. E foi pior do que eu imaginava. Eu não gaguejei, nem amarelei o sorriso...mas eu simplesmente fui tomada por uma saudade enorme...e tudo que eu queria era acabar com ela...Tudo que eu queria era sair de lá com a certeza que eu estou muito mais feliz agora, mas não foi isso que aconteceu...tudo que eu queria era não sentir, era não lembrar, era não desejar, era não me incomodar...tudo que eu queria era não ter desejado sentar ao seu lado de novo...estar com ele de novo...rir com ele de novo...tudo que eu queria era não ter sentido nada, principalmente a esperança de que reencontrarei a felicidade, em Montauk, como no filme.
E desde então tenho feito incontáveis esforços para me provar que reencontrarei sim a felicidade e paz que meu coração precisa tanto, mas que ela tem outro nome e sobrenome...

3 Comments:
At 6:35 PM,
Clarice said…
Oi Aya, td bem? Vim agradecer e retribuir a sua visita no meu blog, volte sempre, bjs
At 9:18 PM,
amandabalbi87 said…
lindo, Aya. Triste mas lindo
At 9:23 AM,
joyce said…
Aya, por um acaso tentanto buscar a letra de música de meet me in montauk, encontrei o seu blog.Isso tudo porque meu ex namorado que pediu para deixar ele ir embora...me mandou uma mensagem as 02.34 da manhã , dessa forma:" meet me in montauk..." ; como força do destino ou sei lá o que , encontrei seu blog e me senti tão perto do seu texto...tão perto dessa cólera ---( se é que posso chamar assim) --- e como odeio que me pergunte se estou bem , como está fulano...termino com esse texto : "Durante uma vida a gente é capaz de sentir de tudo, são inúmeras as sensações que nos invadem, e delas a arte igualmente já se serviu com fartura. Paixão, saudades, culpa, dor-de-cotovelo, remorso, excitação, otimismo, desejo – sabemos reconhecer cada uma destas alegrias e tristezas, não há muita novidade, já vivenciamos um pouco de cada coisa, e o que não foi vivenciado foi ao menos testemunhado através de filmes, novelas, letras de música.
Há um sentimento, no entanto, que não aparece muito, não protagoniza cenas de cinema nem vira versos com freqüência, e quando a gente sente na própria pele, é como se fosse uma visita incômoda. De humilhação que falo.
Há muitas maneiras de uma pessoa se sentir humilhada. A mais comum é aquela em que alguém nos menospreza diretamente, nos reduz, nos coloca no nosso devido lugar - que lugar é este que não permite movimento, travessia?. Geralmente são opressões hierárquicas: patrão-empregado, professor-aluno, adulto-criança. Respeitamos a hierarquia, mas não engolimos a soberba alheia, e este tipo de humilhação só não causa maior estrago porque sabemos que ele é fruto da arrogância, e os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexo de inferioridade. Humilham para não se sentirem humilhados.
Mas e quando a humilhação não é fruto da hierarquia, mas de algo muito maior e mais massacrante: o desconhecimento sobre nós mesmos? Tentamos superar uma dor antiga e não conseguimos. Procuramos ficar amigos de quem já amamos e caímos em velhas ciladas armadas pelo coração. Oferecemos nosso corpo e nosso carinho para quem já não precisa nem de um nem de outro. Motivos nobres, mas os resultados são vexatórios.
Nesses casos, não houve maldade, ninguém pretendeu nos desdenhar. Estivemos apenas enfrentando o desconhecido: nós mesmos, nossas fraquezas, nossas emoções mais escondidas, aquelas que julgávamos superadas, para sempre adormecidas, mas que de vez em quando acordam para, impiedosas, nos colocar em nosso devido lugar."
desculpa me intrometer no seu blog....mas às vezes eu preciso deixar de me sentir solitária...por um momento...
meu orkut: joyce martin
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